terça-feira, 19 de agosto de 2014

Quissama - O Império dos Capoeiras


" Ao longo de minhas andanças pelo mundo, conheci inúmeros jogos de luta e, através deles, tive a chance de presenciar proezas que não são facilmente transmissíveis pela escrita. Isso vale para os savateurs de Paris e Marselha, para os mestres do varapau na Península Ibérica, para os temidos praticantes de wing chun que conheci em Hong Kong e Fatshan e até mesmo para certos arruaceiros de Londres.
No entanto, as maiores demonstrações de ousadia, malícia, garra e espírito marcial, testemunhei durante aquelas que deveriam ser minhas últimas horas no Brasil."

Quem acompanha a fanpage viu que nos últimos dias terminei a leitura super empolgada e apaixonada pelo Livro Quissama - O Império dos Capoeiras da Editora Biruta. Sinceramente não via a hora de postar a resenha, para que mais e mais pessoas se apaixonem por essa preciosidade. Então não vamos perder mais tempo! 

Quissama - O Império dos Capoeiras é um livro escrito por Maicon Tenfen, baseado nas memórias de Daniel Woodruff, um inglês que viveu no Brasil no século XIX. O pano de fundo para a história do primeiro livro da trilogia é a cidade do Rio de Janeiro, quando as Maltas de Capoeira dividiam a cidade em uma guerra secreta e dominavam seus cenários mais obscuros. Talvez, uma das partes mais interessantes da história de nosso país, conhecida e estudada principalmente por nós capoeiristas, além apenas dos estudiosos. 

O livro começa com o encontro de Mister Woodruff já conhecido como "investigador", com o capoeirista Vitorino Quissama em uma taverna. Quissama, que dá nome ao livro e segundo o autor também nomeia as memórias brasileiras do inglês, é um jovem negro escravo que fugiu de seu dono para procurar sua mãe desaparecida. Por esse motivo, o capoeirista procura o inglês para ajudá-lo na empreitada para encontrá-la. 

Infelizmente, não era um bom tempo para Quissama. Mister Woodruff já estava de viagem marcada para deixar o Brasil e seu dono o perseguia ferozmente para retomá-lo como sua posse. A partir daí, o livro se desenrola com inúmeros acontecimentos, cada um mais interessante e mirabolante que o outro, até que a história tenha em parte, um final quase que feliz. 

As ilustrações do livro ficam por conta de Rubens Belli.


"- Já não te mandei para o inferno?
- Já, sim senhor. É onde vivo desde que nasci."

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"... desde cedo aprendi que a vida deve funcionar para frente, para o futuro, não para um passado que jamais retornará."

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"Não faltam mares para quem deseja navegar."

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"Se largasse Vitorino e corresse sozinho, talvez conseguisse tomar impulso no meio do tumulto e saltar sobre os portões. Um coisa dessas, entretanto, estava fora de cogitação... nunca deixei nenhum dos meus companheiros para trás. Não seria a primeira vez que isso aconteceria, e pouco importava se o moloque fosse negro, escravo ou o diabo que o valha. Se fosse para cair, então cairíamos juntos."


A história descrita pelo inglês sobre a busca de Vitorino Quissama, aconteceu aos milhares na época da escravidão no Brasil. Ver essa parte da história de nosso país contada com tamanha qualidade e de maneira tão interessante sem dúvidas foi super significante para mim. O livro é eletrizante, cheio de ação, conspiração e personagens marcantes. A história  fácil de ser compreendida e tão boa, já  me fez ficar interessada a partir das primeiras páginas. Me sentia impulsionada a finalizar o livro rapidamente, a segunda parte com mais de 130 páginas, li em apenas 2 dias. Terminei o livro tão empolgada que a únicas coisas que pensei foram: "Quero ler logo a continuação!" e já consegui sonhar com uma grande produção passando nas telonas do mundo inteiro. 

Quanto a opinião de uma capoeirista entusiasta da história de nosso país e nossa arte, terminei minha leitura extasiada e emocionada. Dentre meus 16 anos praticando essa arte, foi sem dúvidas, uma de minhas melhores experiências. Ver nossa arte, nossa história desconhecida por muitos, ser tratada de maneira tão importante com tamanha qualidade, foi uma grande realização pra mim. Gostaria que todos os capoeiristas tivessem acesso a esse grande marco de nossa arte capoeira.

Meu muito obrigado a Editora Biruta pela oportunidade e meus parabéns ao autor Maicon Tenfen por ter pegado os manuscritos, tenho que certeza em forma de diamante bruto e ter transformado nessa preciosidade imensurável. Desejo que essa trilogia faça muito sucesso não apenas no Brasil e dentre os capoeiristas mas no mundo inteiro. Qualidade de sobra, a obra tem para isso. 









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